domingo, junho 22, 2014

Há tempo que tento escrever sobre você. Mas não sei, quando chega na segunda linha é como se eu despertasse: Imbecil. Quem vai querer ler isso? Eu. Eu vou querer ler. Isso pode levar anos, meses, não levar. Mas to aqui, na terceira linha bem imatura tentando falar de você. E por que? Porque desejo que você leia sem eu pedir. Que você lembre que um dia eu lhe disse que tenho um blog e que no início do nosso encontro apaixonado você elogiou. Poucos meses se passaram desde que o primeiro frio na barriga surgiu. Sou muito emoção, perdão por não agir racionalmente como você. Ou sei lá, eu seja bem racional, porque consigo entender que é tudo tão limitado, que amanhã para nós dois pode não existir. Eu não quero chorar por nós. Eu não quero ter que dizer adeus. E nem quero ser eu a abandonada. Quero caminhar contigo, te ter como amigo, namorado, amante. Em toda nossa vida, há de existir outros olhares, corpos, atrações. Mas eu quero escolher ficar com você. Quero apertar tua mão e dormir ao teu lado. O sexo pode surgir em uma noite, em duas não, mas quando isso acontecer, quero ter certeza que não é ausência de amor. Falando assim, me parece que sou uma neurótica, insegura e carente. Domingo a noite me sinto assim, agora me sinto assim, mas sei que amanhã meu orgulho me acalma, levanta minha cabeça e passa batom. Ele desfila comigo e atrai todos os olhares. Mas não quero que ele me domine, que meu ego me supere. Quero amar, porque esse é o único sentido da vida. O amor.

A água que gasto

Enquanto eu tomava banho e a água quente escorria pelas minhas costas eu me culpava. Um misto de dor, remorso, tristeza e angústia. A vó que eu não visito. A água que gasto. A cadela que peguei da rua e adoeceu nas minhas mãos. A água que gasto. A minha ignorância do mundo. A água que gasto. Os trabalhos da faculdade que tenho atrasado. A água que gasto. O jeito grosso que agi com meus pais. A água que gasto. Olho para os lados e vejo paredes e lembro dos loucos dos hospícios. Me sinto em um, com a maldita TV ligada ditando felicidade. Essa confusão me perturba, essa insegurança, esse frio que não me deixa sair do banho, a água que eu gasto. Eu quero sair desse chuveiro mas não consigo. Tenho medo, medo de ser abandonada, medo de perder para a gostosa da festa, medo de ser. Culpa por comer pães, por não ter ido a academia, por roer as minhas unhas, por não ter feito um agradecimento ao superior. Culpa por não ter lido coisas úteis e ter ficado no facebook, culpa por não ter sido um ser humano melhor. A água que gasto. Essa água quente nas minhas costas me acalma, mas meus pensamentos me assustam. O dente que precisa de dentista, o cabelo de tratamento, o corpo de atividade, o cérebro de descanso. A água que gasto.

domingo, março 16, 2014

A tristeza não é permitida. Ela não ganha like, ela não dança no ritmo das formaturas. A tristeza quando bate não agrada nem mesmo quem a recebe. Ela afasta, ela reprime, ela não permite movimentos bruscos. Quem a percebe prefere evitar. Você vale muito alegre. O sorriso atrai, o sorriso conforta as presenças, estampa capas de revistas, agrega, compartilha, une, produz selfie. A tristeza não. Ela não é aceita sem uma tragédia. Ela dá sono a suas companhias, ela faz os olhos se distanciarem, olharem para horizontes com mais vida. Não há quem desconheça a tristeza, mas há quem finja não senti-la. Fácil, é tomar a tristeza junto com o copo plástico transbordando espuma e álcool. Fácil, deixá-la de lado e pular junto com os pares. Quando ela chega eu a deixo tomar conta, é mais forte que eu. E isso também é vida. Há quem defenda que não pode deixar ela se instalar, que deve-se esquecer, dançar para espantar. Mas eu, como um corpo em transe permito que ela aposse. Numa espécie de aceitação do destino. Não há patologia, não há morte, não há fome, não há traição, não há motivos. Ela simplesmente acontece. Prazer, não sou um espírito elevado. Se fosse, não estaria aqui junto contigo.

domingo, setembro 22, 2013

Amor Ansioso

Atrás de mim o relógio pulsa e seu barulho fica no meu inconsciente me dizendo que não estou sendo produtiva. Dentro de mim o tempo não passa, porque minha ansiedade me deixa abandonada e triste neste domingo pálido e frio. Quando lembro dos nossos momentos me dá vontade de te ligar e reatar nosso amor. Quando penso no amor que sentes por mim, me sinto uma besta em querer ser feliz de outro modo. O que as pessoas querem afinal? Com você tenho a certeza de ser amada, mas procuro em outros rostos o anúncio de uma vida melhor. Pão e contas pagas não me bastam, eu preciso sentir meu coração pulsar no toque das suas mãos, preciso sentir vibrar dentro de mim a poesia e a paixão. Mas quatro anos se passaram e eu já não sinto mais isso. Entro e saio de casa vendo você ali, estático, calmo, numa tranquilidade que me mata aos poucos. Então deixo um turbilhão de dúvidas me invadir e minha impulsividade agir. Retribuo o carinho que recebo virtualmente e fico com convites em aberto, ali, esperando uma decisão minha. E o medo de errar? E o medo de não ser retribuída e deixar o amor ir embora? Tenho agora um amor de margarina, para constituir uma família feliz. E tenho por outro lado, a indiferença de alguém que me tentou como o diabo. Momento de esperar, meus impulsos irem embora, para que eu não pegue o telefone e disque para a decisão errada.

quarta-feira, maio 08, 2013

Tem gente que está sempre pronta para ver a negatividade. Que está sempre disponível para maliciar, para criticar, para falar mal. Que mesmo que você se explique, se justifique, se desnude com humildade, há seres que não conseguem enxergar sua essência. Acho que por isso que meus passos são mais solitários. Muitas vezes me questiono, se sou eu a errada, a maliciosa, a perdida. Sim, as vezes sou sim. Mas percebo com o tempo que tem gente que por mais que você tente provar sua boa índole, prefere não enxergar. Acho melhor nessas situações, o afastamento completo. Acho que entendo os ermitões, que se isolam em suas cavernas desses seres humanos terríveis que rondam por aí como se fossem almas penadas prontos para ser exorcizados. A vida é feita de dificuldades que te elevam, mas há momentos que a alma pede um pouco de paz e se cansa de gente chata!

domingo, abril 21, 2013

Minha Condição

Estava eu, meio dormindo, meio acordada quando me deparo com meu espírito vagando, pensamentos abstratos. Já não consigo entender meus anseios. Crio em minha mente letras de canções que jamais irei cantar. Penso que já peguei no sono mas na verdade minhas sinapses continuam trabalhando na nossa possível história. Sou um reflexo de maldade, tento ser boa mas isso parece ser mais forte que eu, muitas vezes. Olho para os lados e só vejo tentações, e a carne é fraca e o tomate é caro. Vermelho como sangue que corre nas veias. Sinto medo, medo de não ser correspondida, medo de levar uma mordida que arranque meu coração. Sinto frio, quando penso que a ausência pode me deixar perdida dentro da escuridão. Sempre me imaginei como uma rosa, molhada da água da chuva. Chuva... Tão doce, natural e passageira como sua condição em minha vida. É um tipo de amor que sinto por você, algo que me entristece em querer. Talvez eu não acredite em casamentos, mas... Quer ser feliz pelos próximos quatro anos comigo? Assim, só uma hipótese, meu espírito talvez pare de vagar e me deixe dormir em paz, junto com seu respirar.

sábado, abril 13, 2013

Vulto

Por que essa necessidade de se fazer presente? Por que essa ânsia de deixar marcas? Passos? Legado? Essa busca diária por conexões com o futuro, o meu cotidiano baseado em uma espécie de missão. Eu sinto todos os dias as vozes da minha história, as canções, os ritmos. As pessoas que ainda não conheci. Por que tenho que ter meu lugar do mundo? Posso viver deslocado? Posso ser apenas um coadjuvante nessa experiência, ou melhor, um figurante, sem falas, sem expressão, quase sem vida? A ausência de energia faz a morte. Mas a morte também é evolução. Essa angústia por falar algo, por atrair a luz, nem sempre me faz bem. Gosto também do silêncio, das horas vagas, que para mim quase não existem pois minha mente não para. Apenas me bateu a vontade de ser apenas um espírito errante, uma nuvem, um vulto e não um exemplo, um orgulho, alguém.