quinta-feira, junho 29, 2017
E agora?
Quando te vi senti meu coração disparar. O sentimento parece infantil, mas a verdade é que isso é emoção. Quando te senti em meus braços é como se o tempo não tivesse passado. Toda nossa história nos abraçou. Estávamos no meio da rua vivendo um instante mágico. Atraímos os olhares das pessoas, que ao meu ver, parecia uma cena de filme, tudo em câmera muito lenta. Mas por que na minha cabeça isso tudo parece um drama e não um romance?
Por que depois de quatro anos você volta como se nunca houvesse um fim. Onde estávamos nesse vácuo de tempo? O que fizemos de nós? Onde erramos e por que nos reaproximamos? Eu não estava arrepiada como na primeira vez em que nos vimos, nem estava atraída simplesmente pela conjunção carnal. Eu estava ali porque você fez parte da minha vida de uma maneira linda e melancólica. Eu estava ali porque precisava sentir seu coração pulsar novamente, precisava olhar nesses olhos brilhantes mais uma vez. Há uns textos anteriores a esse, coisa de alguns anos passados, eu desabafa sobre nosso relacionamento conflituoso. Um duelo sensível mas sem muito mistério. O que havia era um abismo entre o que você queria, ou não sabia o que queria, e eu e meu abismo particular. Eu queria partir. Queria seguir sozinha. Queria conhecer outras pessoas. Queria me sentir, me conhecer, me pertencer. Você passou o dia todo comigo, e ao dormir eu te olhava admirada e com um sorriso no rosto. Porque sim, o sentimento estava ali, vivo. O tempo pode ter camuflado, anestesiado, mas nem ele conseguiu apagar o que eu sinto por ti. E eu te senti, pude saber na hora em que me viu o carinho que sentes por mim. Não sei se posso chamar de amor, na minha imaturidade emocional vou chamá-lo assim. Quatro dias se passaram. Você não deu sinais do que pretende. Veio, mexeu comigo, mexeu com nós, parecia apaixonado. Até então não sei o que queres de mim. Não sei o que pensas da nossa vida a dois. Existe nós dois? Eu sinto no meu peito que você me traz paz, algo que eu não havia sentido até então. Eu viveria novamente contigo. Eu daria mais uma chance para nossa história. Que sempre apertou meu coração por ter um fim. Eu pensava que Deus me daria a oportunidade de apenas me redimir contigo em outra existência, mas não. Ele deixou nosso encontro para essa. E eu sei que tenho muito amor para dar. É como se a gente precisasse dessa ausência um do outro para poder evoluir em outras coisas. Mas agora, ao escrever essas palavras, me deu um frio, um arrepio. Será que você só queria mais uma vez comigo? Será que você só queria “se vingar” de uma forma talvez inconsciente? Sim, nós podemos seguir nossas vidas um seu o outro. Mas eu acharia um desperdício.Assim como você falava quando terminamos. Eu só enxergo isso agora. Que somos sim, feitos sob medida, um para o outro. E agora? O que faremos de nós?
domingo, junho 18, 2017
Domingo Angústia
Quanto tempo perdemos? Na frente da TV, nas telas virtuais?
Quantos momentos desperdiças com discussões que não te levam a lugar algum?
Para que? Para ter razão? Para enfiar na cabeça do outro o que ele não quer saber?
Onde encontra-se a paz?
O que vou comer ? A salada tem agrotóxico, o orgânico está caro, a carne incentivo a indústria da matança, esse doce engorda.
- Ah, mas se for pensar assim...
Preguiça, preguiça de mudar, de sair do lugar, de saber que sim, preciso mudar e ser um ser humano melhor.
Você já viu os vídeos que mostram os testes em animais?
- Eu não, Deus me livre. Ver os bichos sofrendo.
A verdade é que somos fracos, acomodados, involuídos, dependentes de um cotidiano estabelecido.
De segunda à sexta sigo a dieta, vou para academia, mas no fim de semana... Ah, daí sou feliz.Daí bebo para esquecer a angústia que é viver. O peso dos meus próprios fracassos.
- Ai que louca. Vou para namorar, dançar.
Louco é quem não pensa, louco é estar no automático. Louco são esses amores líquidos que viram em nada. Nada, um enorme nada.
Dói pensar sim, incomoda saber que muitas vezes não tenho força para ser melhor. Que mesmo sabendo que sou capaz, me apego a desculpas esfarrapadas.
- Não são esfarrapadas, a vida já é muito difícil, se você levar tudo a ferro...
Tenho minha desconfiança que ninguém veio para cá para passear, tirar férias na Terra. E sim trabalhar, lapidar-se.
- Esse papo já tá me cansando.
Tenho sim minhas verdades, não consigo desapegar, relaxar assim sem ao menos pensar que não posso mudar o mundo, mas posso me mudar. E isso já dá um puta trabalho. Mudar a si mesmo, conhecer a si mesmo. Quebrar as armadilhas que preparei para me boicotar.
Se chove não corro, se deu sol tá calor, se to sem carro simplesmente não vou, se meu amigo mora longe não visito. Se terminei a faculdade, agora vou dar um "tempo para cabeça".
- Ai, sério, já é domingo, esse clima de tédio, amanhã trabalho cedo...
Espera que sexta-feira você já vai estar feliz novamente.
angústia
substantivo feminino
1.
estreiteza, redução de espaço ou de tempo; carência, falta.
2.
estado de ansiedade, inquietude; sofrimento, tormento
Assinar:
Comentários (Atom)
