A DIFÍCIL TAREFA DE SER BOM
Amar ao próximo, perdoar, dar a outra face, praticar a caridade, seguir os mandamentos de Jesus. Papai do Céu deixou tudo encaminhado para nossa missão na terra.
Mas ufa, como é difícil, é muito mais fácil ficar em casa vendo TV do que sair para trabalhar. É muito mais simples passar por uma pessoa necessitada e não percebe-la. É cômodo não dar o lugar para alguém mais cansado no ônibus.
Como é normal ver animais nas ruas abandonados e sem proteção.
E quando você resolve vestir à camisa da paz e amor, depara-se com exército de dificuldades que se espalham conforme sua bondade.
Achei um gatinho na rua, de no máximo dois meses, ele miava alto ás 11 horas da noite, ali, sozinho, no frio, sem mãe, sem colo, sem leite. O que é mais fácil? Fingir que não vi... Mas impossível cada miado era um aperto no coração.
É um ser vivo que precisa de ajuda, que não sabe se cuidar sozinho. Peguei o gato. Para depois encaminha-lo para uma ONG. Conseqüências? Tive que dar banho, comprar comida diferenciada, o fazer comer porque não era desmamado ainda, preparar um lugar adequado para ele dormir, colocar um pires de água, outro de ração picada misturada com pasta de salmão. Caixa de papelão com pano dentro. Além disso, a caixa de areia que precisa ser trocada todos os dias, e brincadeiras com o bichinho que necessita mais de atenção e carinho do que qualquer outra coisa. Além de render uma micose no braço e mãos que gatos novos têm facilidade em transmitir. Não dá para deixar ele trancado o dia todo, por isso nos intervalos, tem que ir em casa soltar ele um pouco, deixa-lo brincando no sol, dar alimento. Fácil? Não... Eles fazem suas necessidades aonde não devem, arranham seu sofá novo, ficam miando alto no seu ouvido para pedir leite, quando você dá o leite não é isso que querem, é colo, é atenção, é que você seja a mamãe gato que ele não sabe onde está. Eu estava penteando meu cabelo, com a cabeça para baixo, quando olho o gato me olhando, querendo brincar com meus fios, eu estava com pressa, mas aqueles olhinhos brilhantes me pediam um pouquinho de criança. Tive que doar o bichinho, meu dia a dia de trabalho e estudos me impedem de cuidar dele, que não poderia ficar trancado o dia todo num apartamento. Isso poderia ser muito fácil, afinal eu iria me livrar de todos os compromissos acima, mas como é difícil.
Como é triste lembrar daqueles pulinhos desajeitados que ele dava querendo brincar, como é difícil mexer os pés no sofá sem ele para pular em cima, como é doloroso ver o pires com o restinho de comida, a caixa de papelão vazia, ui... Antes perder 2, 3, 4 horas do seu dia dedicados para o gatinho.
E quando vou na cozinha ele não vem mais correndo atrás de mim, e quando vejo filme ele não está mais dormindo no meu colo. E seus miados continuam nos meus ouvidos quando vou dormir. Isso sim é difícil, se apegar ao ser tão querido e ter que abandona-lo. Por que? Porque é difícil ser bom.

Nenhum comentário:
Postar um comentário