No silêncio, com os olhos fechados, na fraca luz do teu quarto. Pareço sonhar, minha mente passeia por tantos lugares. Estive onde as pessoas estavam, no consumo, na rotina, vejo-os conversando, rindo, procurando as crianças, ouço os sons na diversão, os fliperemas, a música do ambiente, estou por lá, passeando também, mas não por desejo, mas uma leve comparação com minha vida, um outro olhar do meu presente. Pensando no que importa de verdade, pensando que enquanto estou deitada, o mundo acontece lá fora. O mundo não para.
Você dorme, sonha um sono profundo. Respira como se te faltasse ar, me assusta com seus sustos. Eu abro os olhos, mal te enxergo, toco sua face, como me importa você, me sinto maior, me sinto mãe, me sinto dona da situação.
Volto a andar pelo mundo, pelos meus sonhos, meu palco, meus estudos, penso no que poderia fazer com todo meu talento, penso no meu corpo parado ao teu lado, ali, no teu quarto. Penso que amanhã pode ser tarde, tento viver o momento mas me assusta o tempo, me dói a passagem nesta escuridão, esse silêncio me perturba um pouco, essa tranquilidade me amedronta, ai que medo que dá pensar nessa vida lá fora, ai que medo que dá olhar você dormir, enquanto eu estou aqui, acordada, com os olhos esbugalhados, pensando no mundo lá fora.

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